quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os Homens de Bem

Corro das pessoas cheias de verdades, pessoas que sabem demais, que tem a resposta para tudo e adoram dizer o que é certo para você.
Pessoas assim apontam com facilidade seus erros, gostam de corrigir, de ensinar, mas apenas para mostrar o que sabem. Definem o que é certo e errado melhor que ninguém e julgam as atitudes de todo mundo em cima de suas crenças segregadas.  
Pessoas que sabem demais estão sempre em atrito com quem se relacionam, exigem que você tenha um comportamento padronizado, que você viva sem emoção, paixão ou ousadia.

Deus me proteja dessas pessoas! São persuasivas e insensíveis. São capazes de lutar a favor de causas humanitárias, lutar por maiores penas para os pecadores e excluí-los da convivência entre os homens de bem, mas o castigo nunca é suficiente. Falam em nome de bem, mas são lideres de infernos.

Negociador da alma

Ah! Os homens de bem! Estou tão cansado deles! Acordam bem cedo no sábado para dar sopa para necessitados e não aceitam a verdade de fazerem somente um bem para si. A verdade de usarem a dificuldade alheia para promoverem a si mesmo. Eu sei que é assim, pois eu também o fiz, até que percebi que eu só estava sendo um fantoche social e me envergonhei de usar o sofrimento dos outros para ser um homem aceito pela sociedade ou um negociador da minha alma após a morte.  Faça o bem, se for para o seu bem, mas faça espontaneamente, não com cálculos racionais. 

Pessoas cheias de verdades são nocivas, querem sua companhia para validar suas crenças. Exigem o seu aplauso a qualquer custo por qualquer coisa que acreditam, lutam por um paraíso, um lugar no céu bem especial por que são bons demais para passarem por sofrimentos. Mas este paraíso é baseado nos conceitos humanos, não é divino. É uma projeção dos seus sonhos egoístas.


Odeio os homens, cheio de virtudes. Os modelos de pessoas dentro de um padrão de comportamento que excluem todos os outros que não podem segui-los e que por um motivo estranho damos nosso aval. Permitimos que nos faça aceitá-los como verdadeiro, como essencial. 

Mundo imaginário


Dá um nó no peito vê-los tristes, subordinados a conceitos de certo e errado, presos em uma arrogância de estar no mundo dentro de um falso castelo de felicidade. Coitados no fundo são frágeis! Ninguém é feliz exigindo um mundo imaginário para viver onde o comportamento dos outros esteja dentro de uma aprovação. A felicidade não esta a mercê do externo, não preciso que o mundo se comporte conforme minhas expectativas, ele tem seu próprio caminho e destino. Estou aqui para simplesmente experimentá-lo não para corrigi-lo.

O que será de nós, os excluídos, os condenados, os exagerados?  Aqueles que se permitem extrapolar, rir em demasia, amar com desespero?  Nós, os imperfeitos, os que choram no meio da rua por uma dor insuportável, nós, os renegados pela estrutura criada em um mundo sonhado por pessoas sãs? O que faremos com nossas inquietudes, nós que destruímos nossas crianças que existiam dentro de nós e trocamos nossos sorrisos por carrancas sisudas, apenas por ser inconveniente aos homens que fazem as regras e não aceitam que sejamos indefesos e humanos diante das circunstâncias da vida.


Marcos tavares de souza