quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

14 BIS

se vier me procurar
direi a verdade
foi inútil 
a última tentativa
o abandono de causa sem razão
não vou falar 
da covardia ou medo
a gente sabe 
que todo mundo vacila
mas combinamos de outro jeito
e não perdoávamos 
erros alheios
falarei horas seguidas
e acabaremos bêbados
dormindo com o cigarro aceso
e o incêndio esquecido


Ronaldo Santos




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

VITRINES DE DOMINGO



Moro entre coisas extremas
num quarto de pensão impossível.
Ontem cedo matei dois ratos.
Aí está minha metafísica.

Sou um poeta errado.
Consumi muito de minha vida
deitado na cama e me masturbando.
Escrevo só para fazer de conta que vivi.

Olho pela janela do quarto
as vitrines fechadas da cidade.
Amanhã estarão repleta de luzes,

mas hoje adormecem como se ninguém as visse.
E mostram-se taciturnas, absurdas,
essas vitrines de domingo que eu olho tanto.


Rogerio Skylab



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

RAIZ


Entre a raiz e a essência,
um momento intenso,
inevitável crescimento,
(fome do externo)
voracidade, germinação...
Uma raiz que rasga minha alma,
despretensiosamente.


Flutua no firmamento
uma sede que vem de dentro.
Um intervalo do eterno
que não cabe,
(nunca coube)
em minhas mãos.
Uma alma que enraíza meu chão
sistematicamente. 


Marcos tavares 




sábado, 9 de fevereiro de 2013

CARTAS DE AMOR



Ás vezes a gente
tem uma vontade de dizer
que certas pessoas são especiais,
mas não sabemos como!
Pois cartas de amor
não são suficientes,
parecem não dizer
o que arde lá dentro,
e quando são escritas,
são sempre julgadas,
como se fossem carregadas
de segundas intenções,

Ás vezes, eu pareço criança,
não vejo risco,
esqueço que o mundo é um caminhar
e mesmo em dias de turbulências
eu não me entrego.
Nas horas tristes
eu lembro que tenho em mim,
um sentimento que me faz feliz.

Se inútil for lutar
mesmo assim eu tentarei,
irei até onde eu possa ir,
só eu terei que sentir
a dor de amar de novo
ver o coração pulsar
e se calar mais uma vez,
mas não perderei
a alegria de viver,

A meia-noite, ao som de uma canção,
cercado pela multidão,
quem sabe a paixão
deixe de ser uma intrusa,
siga por outros caminhos,
deixando de rasgar no peito
a vontade de te abraçar;
ou quem sabe determine o fim de um engano,
uma ilusão que seria loucura.
Uma história que o destino não quis contar.

Você pode sim, me deixar aqui, não vir comigo,
não há engano, não tenho planos, nem poderia!
nada sei além de estar aqui.
A vida traz pra mim o que sinto agora,
não temo perdê-lo,
tenho forças pra reagir,
refazer os meus caminhos.
Mas também não temo
a força deste sentimento,
estou pronto pra recebê-lo
de braços estendidos,

Em qualquer rua da cidade enfurecida,
numa praia distante ou sob os olhares da multidão,
caminhando sob a chuva ou viajando por vagões
eu serei seu arlequim, um ombro pra chorar,
um tolo pra te fazer rir ou carregar os seus canhões.

Nada peço, não poderia,
não é meu...
Este sentimento existe por você.
Só você pode fazê-lo ser parte de ti.
Pode ser inconsequente
se dosado sem medidas
pode ser nocivo se for imenso
e alimentado por toxinas,

Mas pode ser lindo se cuidado a cada dia.
Não dói, é livre. Como tudo:
Pertence ao tempo, vai passar...
Não destrói. É amor. Tão raro:
Pertence ao coração,
é pra fazer feliz.




Marcos tavares






CASTIGO


Eu sou o castigo
que Deus deu
a uma alma.
O ajuste de dor
(necessário)
às suas entranhas.

A justa medida do rosário,
a seta disparada
com sensor e
alvo milimétrico,
que se lança vivo
ao infinito.

Sou o instrumento de busca,
a meta do corsário
(ainda em juramento).
O lusco-fusco da embarcação,
a metade da verdade.
a ilusão que ofusca
meu alvorecer.

Que por não saber
ser o observador,
se revolta com o caminho,
por apenas se ver, sofredor,
morre inquieto,
sob o silencio,
-reparador- 


Marcos tavares 



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

ANDAR DESCALÇO


Não quero nada do futuro
que me tire deste agora,
tenho ânsia desta hora
e desta terra
que me ampara.

Prefiro olhar a paisagem
deste momento por este retrato,  
do que tirar fotografias
pra lembrar imagens
que já passaram.

Não quero nada do passado,
escombros que me moeram,
ficaram duros como pedras
e no meu encalço doeram
pesando nos meus  ombros
que já sangraram.

Quero só esta tarde livre,
pra poder andar descalço
e ouvir esta musica que escuto
no lugar do barulho dos homens
que (um dia) já cantaram.



Marcos tavares