segunda-feira, 19 de setembro de 2016

MUITO ALÉM

Eu sou a vida sem um vivente     
Um sonho sem sonhador
Uma dor sem um doente
um andar sem caminhante
um comando sem comandante

Um alguém que é ninguém
um som sem ouvidor
uma fala sem falador
a ilusão sem um iludido
a frase que se escreve por si

Eu sou quem não é quem
separado sem separação
a morte que morre sem alguém
muito além das palavras, muito além
o que está em tudo, sem nada ser.

O que aparece desaparecendo
o que faz nada fazendo
o que nada sempre foi tudo
o que tudo é nada sendo
o que brilha por si eternamente.


Marcos tavares

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

SONHOS NA MOCHILA

Eu também já fui soldado 
já fui moldado a guerra,
já estive na terra
rastejando pelo chão
por não saber negar.

Eu também já fui julgado,
condenado por heresia,
tive que calar a voz
por não querer cantar
os versos dessa hipocrisia.

Eu também já fui premiado,
ganhei medalhas de sonhador,
admirado por ser tão bom ator
representado seres sem alma,
(personagens que não sabiam sorrir).

Eu também não pude fugir
tendo sonhos na mochila
e um coração cheio de valsa,
mas fui vendo meus sapatos
não caberem mais em mim
neste mundo de pessoas descalças.



Marcos tavares

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A MINHA JURA

Hoje os inimigos são outros
e os que querem minha cabeça
estão atrás das paredes.
Sei que os mereço, embora,
não mais os conheça,
nem neles reconheço
os motivos deles
me manterem vivo.

Hoje, os amigos são raros.
A vontade do mundo voraz
já não me atrai.
Ainda me habito
neste afã que subjugo,
mas não mais me pertenço,
apenas existo na lucidez
neste domingo de manhã.

Hoje o meu mar é até o portão,
os ventos me visitam impacientes.
Não sabem nada de mim,
(da minha jura),
da lágrima que cai
como penitencia,
mas não cura
nem perdoa
os danos causados em mim
que acusei ao mundo. 


Marcos tavares



domingo, 4 de setembro de 2016

TARDE DE DOMINGO

oh vontade besta de chorar, 
de tirar do peito uma coisa
que nem sei mais o que é
oh saudade do que não vivi
saudades até de outras doenças...

tenho tantas outras dimensões
mas esqueci como medi-las
nem os gritos, nem as ofensas
não sei mais suas medidas
só meu coração saberia

Amor, quem dera fosse !
Sei bem que não é a mim mais
que me viria, sei bem das minhas mãos
o que fariam
sei bem das minhas lutas
as derrotas, as navalhas, as vigílias...
não me valho de torna-las óbvias
(como seriam)
amenizo a existência sem existir
oh vontade de estar em teus braços ainda


Marcos tavares