sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ALMA VAGABUNDA

Nunca darei a você
amor que sacie
sua alma de puta
sua sede de vinho e de rua,
que você tem na garganta
e me cospe
quando me ingere e rejeita,
se me prova em delírio
(por engano)
como cicuta.

Nunca darei a você
amor sem pecados,
que engane
sua alma de santa.
Nem terei em mim
o desejo da pureza,
que você precisa
na sua saliva,
quando me engole
(me janta)
como castigo.


Marcos tavares

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

MARCAS DA PAIXÃO

Só você me deu
amor como mordidas
calcinhas pra dormir
e braços pra sonhar

Só você me tocou assim
esfregando até suar
me virando pelo avesso
amando até se lambuzar

Só você me deu manjar
adoçou a minha língua
cobriu meus pés quando dormia
deu o ombro pra chorar.

Só você me arranhou
deixando marcas da paixão
fez seu cheiro me viciar
me delirar com seu sabor

Só você me enfeitiçou
me rendeu em meus vestidos
fez poemas de amor
dando o colo pra descansar.


Marcos tavares




foto da amiga 
Rudy Aparecida 
https://www.facebook.com/rudy.aparecida

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

LÁPIS DE COR

Você é assim...
Tipo lápis de cor
pinta a minha dor,
as rasuras em mim.

Tipo assim..
Som de nota musical,
harmoniza meu tom,
faz partituras em mim.

Tem gosto de amora,
aroma que me descansa,
uma saudade sem hora,
tipo assim...! Felicidade.

Fantasia que me veste,
enfeita meu viver,
tipo assim...! 
Uma folia,
uma festa,
dentro de mim.

Marcos tavares


Foto da amiga Janaina Jacobina
https://www.facebook.com/janainajacobina2

terça-feira, 1 de novembro de 2016

JEITO BOBO DE AMAR

Sempre fui assim, singular,
com um jeito bobo de amar.
Sem habilidade pra sonhar.
Tenho sapatos pra dançar
e uma certeza nesta valsa:
Vivo só.

Sempre fui assim, 
fácil de chorar,
com um encanto matinal 
no espelho,
que me faz pensar em ser atriz
Coisa doida de entender!
Ter vontade de fingir ser feliz:
Sendo só.

Sempre morei sem mim,
vestida de chuva,
hóspede de um inverno triste,
vida dura de passar!
Uma vontade de esquecer seu nome,
não mais existir,
...Seguir só.

Marcos tavares 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

CRIMES QUE CARREGO

Meu olho na janela                   
não expressa sentimentos,
ao longe vejo luzes,
que não revelam de onde eu vim.

Eu não sei o que procuro,
nem mesmo se perdi,
me desfiz dos meus caminhos
pra não saber voltar depois.

Já não sei mais do que eu peno,
nem os crimes que carrego,
eu só tenho este punhal,
que me rasga enquanto eu vivo.

A chuva me conforta,
entre as veias da cidade
eu só tenho este destino,
que não permite que dele eu fuja  

Marcos tavares



domingo, 16 de outubro de 2016

PÁSSARO AUSENTE



Da gaiola do nosso 
relacionamento
em algum momento,
o trinco se abriu:
o amor fugiu.
Por hábito, continuamos
a trocar a água
e a renovar o alpiste.
Mecanicamente, cuidamos
de uma ave
que não mais existe.


Wilson Gorj


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CIGANA

Sou feita de coisas
que se estranham
as vezes sou ácida, afoita
cheia de preguiça.

Sou feita de paixões impossíveis
de um amor que não cuidei,
de sabores proibidos
que provei sem saciedade,

Nas noites frias nas calçadas,
bate em mim um coração
que não consegue se perdoar,

As vezes sou cigana, ardilosa
cheia de venenos,
seguindo passos de uma dança
não tendo um par para as ilusões
sem emoções que mereçam
guarda-las como lembrança.

Fui feita na condição
de não poder me abater
quando o choro vem me aliviar
nem me cansar de recomeçar
quando o sol vem iluminar
dar chance a um novo dia
tentar me reencontrar.


Marcos tavares

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

PALAVRAS NA AREIA


Sou o que me resta,
não há leito de morte,
não há corte no meu peito,
nem sombras pra dissipar.

Eu poderia ser tantas coisas...
um suicida,
um sacerdote,
um aprendiz,
ou apenas um tolo,
desfazendo o seu jardim.

Eu poderia ter tantas coisas...
funções,
religiões,
alucinações,
ou somente ter
um plano pra partir.

Sou apenas esta frase se formando,
uma mente se ajuntando,
apagando palavras na areia,
pra se esparramar de novo.

Sou o que vai ficando
com a porta entreaberta ao inevitável,
sem palmos pra medir certezas,
nem passos pra traçar limites. 

Marcos tavares 


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

MUITO ALÉM

Eu sou a vida sem um vivente     
Um sonho sem sonhador
Uma dor sem um doente
um andar sem caminhante
um comando sem comandante

Um alguém que é ninguém
um som sem ouvidor
uma fala sem falador
a ilusão sem um iludido
a frase que se escreve por si

Eu sou quem não é quem
separado sem separação
a morte que morre sem alguém
muito além das palavras, muito além
o que está em tudo, sem nada ser.

O que aparece desaparecendo
o que faz nada fazendo
o que nada sempre foi tudo
o que tudo é nada sendo
o que brilha por si eternamente.


Marcos tavares

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

SONHOS NA MOCHILA

Eu também já fui soldado 
já fui moldado a guerra,
já estive na terra
rastejando pelo chão
por não saber negar.

Eu também já fui julgado,
condenado por heresia,
tive que calar a voz
por não querer cantar
os versos dessa hipocrisia.

Eu também já fui premiado,
ganhei medalhas de sonhador,
admirado por ser tão bom ator
representado seres sem alma,
(personagens que não sabiam sorrir).

Eu também não pude fugir
tendo sonhos na mochila
e um coração cheio de valsa,
mas fui vendo meus sapatos
não caberem mais em mim
neste mundo de pessoas descalças.



Marcos tavares

terça-feira, 13 de setembro de 2016

A MINHA JURA

Hoje os inimigos são outros
e os que querem minha cabeça
estão atrás das paredes.
Sei que os mereço, embora,
não mais os conheça,
nem neles reconheço
os motivos deles
me manterem vivo.

Hoje, os amigos são raros.
A vontade do mundo voraz
já não me atrai.
Ainda me habito
neste afã que subjugo,
mas não mais me pertenço,
apenas existo na lucidez
neste domingo de manhã.

Hoje o meu mar é até o portão,
os ventos me visitam impacientes.
Não sabem nada de mim,
(da minha jura),
da lágrima que cai
como penitencia,
mas não cura
nem perdoa
os danos causados em mim
que acusei ao mundo. 


Marcos tavares



domingo, 4 de setembro de 2016

TARDE DE DOMINGO

oh vontade besta de chorar, 
de tirar do peito uma coisa
que nem sei mais o que é
oh saudade do que não vivi
saudades até de outras doenças...

tenho tantas outras dimensões
mas esqueci como medi-las
nem os gritos, nem as ofensas
não sei mais suas medidas
só meu coração saberia

Amor, quem dera fosse !
Sei bem que não é a mim mais
que me viria, sei bem das minhas mãos
o que fariam
sei bem das minhas lutas
as derrotas, as navalhas, as vigílias...
não me valho de torna-las óbvias
(como seriam)
amenizo a existência sem existir
oh vontade de estar em teus braços ainda


Marcos tavares