terça-feira, 1 de julho de 2014

MARCAS DO PASSADO


Na arrumação dos armários                       
aparecem as marcas do passado.
Pessoas que doeram
em coisas que ficaram escondidas
e não me lembro mais ter vivido,
nem mesmo um dia me feito triste.
Rio delas, perdidas nas gavetas
(que já não abria mais).

Aprendi a ferir,
a jogar fora meus ideais.
Manchei de nanquim
o quadro na parede
da imagem de menina,
cheia de virtudes
que pensei
viver em mim.

Eu gosto da rua,
o relento me fascina,
desarrumo as coisas
pra esquecê-las.

Tomo as rédeas do que restou
do meu coração
(que ainda bate)
e que lhe prometi
nunca mais o amor
ser a nossa doença.


Marcos tavares