sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ALMA VAGABUNDA

Nunca darei a você
amor que sacie
sua alma de puta
sua sede de vinho e de rua,
que você tem na garganta
e me cospe
quando me ingere e rejeita,
se me prova em delírio
(por engano)
como cicuta.

Nunca darei a você
amor sem pecados,
que engane
sua alma de santa.
Nem terei em mim
o desejo da pureza,
que você precisa
na sua saliva,
quando me engole
(me janta)
como castigo.


Marcos tavares

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

MARCAS DA PAIXÃO

Só você me deu
amor como mordidas
calcinhas pra dormir
e braços pra sonhar

Só você me tocou assim
esfregando até suar
me virando pelo avesso
amando até se lambuzar

Só você me deu manjar
adoçou a minha língua
cobriu meus pés quando dormia
deu o ombro pra chorar.

Só você me arranhou
deixando marcas da paixão
fez seu cheiro me viciar
me delirar com seu sabor

Só você me enfeitiçou
me rendeu em meus vestidos
fez poemas de amor
dando o colo pra descansar.


Marcos tavares




foto da amiga 
Rudy Aparecida 
https://www.facebook.com/rudy.aparecida

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

POEMA PÓSTUMO


Perdão a todos
por não querer ficar
por não saber me adaptar,
por não deixar
as lágrimas caírem,
por ter perdido as lanternas
que me guiariam
pela escuridão

Perdão a todos
por não ser capaz de sonhar
por não saber dobrar
os joelhos diante do altar
por não ter tido
motivos pra sorrir
nem ter sabido caminhar
nas cavernas do meu coração.

Perdão por não achar graça
em dançar...
nem achar bonito o por do sol
por ter medo de avião
por ter sido em vão
minha poesia
perdão por ter tido filhos
e não ter sabido
dar a eles meu sorriso
quando foi preciso.

Perdão por não ter sido
bom filho,nem soldado, nem bandido
nem coisa alguma
que pudesse explicar
qual objetivo de ficar
olhando o mundo sem ver
o seu motivo.
por não querer voltar,
nem justificar minha estadia,

Eu só vim deixar meu corpo
pra servir aos vermes
peço perdão por não me importar
com os que ficam,
com os que andam cegos
em busca de um paraíso
neste mundo de fúteis ideais
como escravos adestrados
às suas conquistas
inúteis e irreais.


Marcos tavares