quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A INTOLERÂNCIA HUMANA

                                                                   Ensaio

Qual é o verdadeiro motivo da insatisfação com as pessoas? Sem precisar citar mestres nem gurus, facilmente a experiencia nos diz que é o julgamento. Nem preciso recorrer à psicologia ou filosofia, estendo esta resposta simplesmente tendo um olhar mais profundo da condição humana.
Não é simples abordar tal assunto. O valor que se apoderou deste mundo e que está na meta de todo ser humano é justamente o poder.
Nos dias de hoje o poder está aliado à ciência, mas outrora já esteve às religiões. O que determina se o que escrevo neste texto será aceito por quem o lê, será justamente o aval que ele terá da ciência.


Quem é que manda!

Quando alguém contesta o que você diz, primeiramente ele vai recorrer à ciência, é ela que decidirá se faz sentido ou não as suas colocações mediante qualquer fato. No embate salutar entre pontos contrários de uma ideia aquele que estiver mais familiarizado com o poder da ciência, certamente será o vencedor.
Vejamos então como isso se desenrola no campo das relações humanas. O homem dotado de grande capacidade intelectual se coloca acima de outro que não o tem. Isso é fácil constatar, pois aprendemos a medir nosso poder por essa credibilidade. E assim se impõe o comando de uns sobre os outros.



Mas porque, aceitamos essa regra?

Num mundo onde esses valores não garantem felicidade a ninguém, muito pelo contrário, distanciam as pessoas de um estado pleno de satisfação, consigo mesmo.
Todos os seres humanos que estão dotados de intelectualidade ou religiosidade que se associam ao poder tem pouca tolerância ao mundo. São frágeis e incapazes de aceitar as pessoas como elas são. Querem impor mudanças de comportamento para se sentirem confortáveis diante das suas atitudes, pois “merecem” ser mais respeitadas pelas suas conquistas e pelo conhecimento que adquiriram.

Peão e Rainha

Assim surgiram guerras, separação de raças e violência entre tantas outras intolerâncias impostas na relação humana. No contato do ser humano mais qualificado, possuidor destas armas, com o ser humano menos qualificado, dotado de outras qualidades, sem peso ou importância neste jogo, se definiu as classes dominantes.
A questão que alerto aqui é que estamos todos envolvidos neste tabuleiro, onde a maioria é peão e muito raro são rainhas. Aceitamos esta imposição. Raramente, nós contestamos o valor real desse poder. Estamos em busca de felicidade e nos enganamos pelo caminho do poder, por adaptação e sobrevivência num mundo cruel e infeliz.

Os inúteis.

Os raros, que são felizes, são considerados pessoas inúteis e de comportamento questionável. Talvez por isso, encontramos tantas pessoas que se orgulham da sua personalidade forte, que se impõe diante de tantos, por serem constituídos de valores que dão poder a elas, tais como: juventude, beleza, dinheiro, inteligência, religiosidade... E tantas outras coisas que faltam em nós e que valorizamos em outros.
Infelizes, porém, poderosos, estão em muitos lugares, principalmente como modelo a ser seguido. Dia a dia as regras estão mais solidificadas, mais impossíveis de ser alcançadas, mas mesmo assim, em momento algum pensamos em ter novas medidas de valor para nos adaptarmos neste planeta. Seguimos a sociedade enfurecida e irracional em busca de poder, não de felicidade.

Cadê esta Porra!

Para conquistarmos a felicidade é essencial descobrirmos onde ela se encontra. Estamos a séculos seguindo uma falsa pista, submetidos ao jugo da conquista exterior para fortalecer uma imagem de si mesmo. O que na verdade não deixa de ser: apenas uma imagem.
Estamos sempre voltados para um fantasma, uma imagem desejada de si como objetivo de felicidade.
Esquecemos de nós mesmos, da nossa essência, da nossa verdadeira identidade apresentando ao  mundo uma ideia adaptável de um ser que quer e precisa ser aceito dentro das normas impostas na conquista do poder.
Neste mundo, pessoas felizes são heroicas. Não se importam em estar em evidencia, não tem nada a provar ao mundo e suas duríssimas regras de inúteis objetivos. Vivem sem ser notados pela maioria das pessoas e não são exemplos a serem seguidos.

Liberdade é para os peixes!

Não estão sob o domínio religioso, politico, social ou comportamental, nada disso os atrai, são livres, aprenderam a sorrir sem ter nada a conquistar. Não impõe mudanças de atitudes às pessoas de seu meio, as aceitam como são. Não se incomodam, nem deixam se afetar pelos erros ou acertos alheios, pois estão muito longe de julgar o que é certo ou errado no mundo de cada um.
Pessoas felizes são muito raras mesmo! Sabem o exato sentido da palavra respeito e liberdade. Estão livres das celas que limitam a espontaneidade interior. São capazes de dizer o que sentem sem se importar se serão aceitos ou não. Assim como não se importam em catalogar os estados emocionais ou psicológicos de ninguém.

Cada um no seu cada um,

As pessoas felizes não precisam mudar o ambiente fazendo dele um lugar melhor para se viver, nem mesmo mudar os outros, tornando-os robôs, imagem desejada ou um personagem sem brilho, que não tem direito de usufruir da sua própria essência, mas que precisam de uma autorização para que se tornem felizes de acordo com as regras conhecidas e seguidas por aqueles que ainda não sabem o que é ser feliz de verdade. Estranho, não?

Marcos Tavares de Souza
pulou de paraquedas e
enlouqueceu.