domingo, 4 de setembro de 2016

TARDE DE DOMINGO

oh vontade besta de chorar, 
de tirar do peito uma coisa
que nem sei mais o que é
oh saudade do que não vivi
saudades até de outras doenças...

tenho tantas outras dimensões
mas esqueci como medi-las
nem os gritos, nem as ofensas
não sei mais suas medidas
só meu coração saberia

Amor, quem dera fosse !
Sei bem que não é a mim mais
que me viria, sei bem das minhas mãos
o que fariam
sei bem das minhas lutas
as derrotas, as navalhas, as vigílias...
não me valho de torna-las óbvias
(como seriam)
amenizo a existência sem existir
oh vontade de estar em teus braços ainda


Marcos tavares

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O INTRUSO

Tudo acontece espontaneamente, sem um fazedor. Escrever, ler, pensar, digitar, etc... sem nenhuma intenção ou objetivo, tudo vai se desenrolando por si só. Mas de repente o pensamento se apropria da ação, eis que surge um eu possuidor do corpo. Neste momento nasce a dualidade, um sujeito e um objeto, um eu e outro e a jornada de um ser sofredor vem ao palco da unidade. No reino de Deus surge o diabo, o intruso, aquele que invade a cena se separando do acontecimento universal. Nomes e formas se tornam limitados dando energia a sensações e sentimentos, como forças contrarias uma das outras, o que era puro e inofensivo em si se torna evitável, inadequado e sofrível na visão egoica deste intruso. Neste momento, que é exatamente agora, esse figura ilusória vai construir para si todo tipo de segurança para manter sua identidade. Posses, conhecimento, saúde, poder e glória são suas conquistas prioritárias, e tudo que for contrário aos seus objetivos lhe trarão sofrimento. Acontece que no palco universal tudo é puro e experimentável, tudo irá se desenrolar como a vida planejar universalmente a sua manifestação. Na ilusão humana de ser uma identidade separada do todo, enganada por esse invasor, caracterizada por misérias e frustrações, explode dentro do ser humano um profundo descontentamento com o cenário em que vive. Esse é o momento de se render, estamos atravessando uma época de mudança de valores. Existe uma agitação em todos os segmentos da sociedade em busca de si mesmo. A questão maior é que esse si mesmo não será encontrada pela mente, nem por nenhum conceito que se apresente por ela. O que é preciso entender é que nosso maior (pseudo) aliado é nosso maior algoz, aquilo que preservamos tanto precisa sair de cena, só assim o que é real em todos nós virá à tona e toda a ilusão se desvanecerá.

Marcos tavares 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

QUIMERA

Os pés que correm 
não são os mesmos que fogem
as mãos que acarinham ]
não são as mesmas que batem
os olhos que veem 
não são os mesmos que choram
mas...
a voz que te ofende também me defende
a cura da minha ira também me adoece
sigo sem saber meus caminhos
mesmo não sendo os meus

a vida que morre é a mesma que vive
que a boca que engole, também me vomita
que a comida que me sacia também me matará

O menor dos meus desejos é profano
o lar que me abriga é cigano
o braço que eu suspendo é insano
o que vejo na janela é tirano
engano ter essa flor na minha lapela
engano não saber ser a vida uma quimera


Marcos tavares

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

RIMAS ESQUECIDAS

Não há mais lírios, 
não resisto mais
ao delírio que me aventuro.
Não vi porto seguro 
onde caminhei,
nem vi brilhar em mim 
aquilo que eu procurei.

Não há venturas
Sem você eu só vejo despedidas
eu me nego seguir sozinho este caminho
e entrego sem apego o meu destino,
nas rasuras destas rimas esquecidas.

Mas ainda eu brigo
há batalhas que ainda podem ser vencidas
Eu preciso do seu braço nesta luta
pra fazer do nosso mundo
um pouco mais florido,
E sonhar ver o teu brilho colorindo 
o amor que sinto ainda 
dentro de mim.


Marcos tavares

quarta-feira, 20 de julho de 2016

SOBRE A SUA PELE

Você conhece os meus porões  
e se atira, sabe da minha ira 
e cede seus arsenais,
come da minha boca, 
e zomba dos meus venenos, 
sabe que a minha fome é você 
e ainda assim me deixa suar 
sobre a sua pele.

Conhece minha mesquinhez
e se veste dos meus retalhos
sabe das minhas estradas
daquilo que eu carrego
na minha fragilidade,  
ainda assim...
me engole todo de uma vez.

Você me mostra 
o que me entorpece
e esconde o que me cura,
deixa eu velejar na loucura 
de te amar sem ser seguro 
me premia com seus dentes
afiados e sedentos,
e me desfia.

Costura o que me rasga 
das suas farpas inocentes,
espreme entre suas entranhas
meu sêmen repentino 
adolescente, verossímil...
Atenua minha rigidez
engasgado na sua goela,
alivia minha morbidez,
a cobiça de te maturar, 
de te tirar dos seus vestidos
e te mastigar 
toda de uma vez. 


Marcos Tavares

terça-feira, 12 de julho de 2016

PRA SER FELIZ

Tudo que vibra quer ser feliz,
uma doença, uma lagarta, uma semente
uma vingança, uma serpente, uma romaria
um bisturi rasgando uma barriga
uma pecadora rezando ave maria

Tudo se ajunta pra ser feliz
uma nascente, uma matilha,
uma leva de meninos fazendo pirraça
uma quadrilha de bandidos
uma cordilheira rasgando um hemisfério
uma hiena rasgando uma carcaça

Tudo que se atrai quer ser feliz
Se perder de tanto se colorir
depois de maturar buscar mutação,
Saber que existe amor pra repartir

Ter Deus pulsando o coração
Rolar no chão de tanto rir,

Uma perda, um desgaste, uma ferida
deve ser vivido até ser consumido
um beijo, uma viagem, uma dose de tequila
deve ser provado até não ter mais harmonia
tudo que se anima deve ser vivido
a vida vive sua própria sintonia
tudo que nela pulsa tem o seu motivo.


Marcos tavares

terça-feira, 5 de julho de 2016

Rap do Izuku Midoriya (Boku no Hero Academia) | Neirbros

MUDANÇA DAS ESTAÇÕES

Me encantei pelo vento, 
vivo de redemoinhos.              
Os meus segredos conto as aves
na mudança das estações.
Vivo sem testemunhas,
como os cantos das paredes,
como livros na estante, 
quadros de fotografia...

Acordo nas manhãs 
junto com memórias,
imagens de um passado 
que se juntam a mim,
personagens de espelhos 
que ousei inventar,
amores amanhecidos, 
palavras que jurei esquecer...

Quero tantas coisas
e tenho coisas que quero perder.
A vida vai decidir se a lucidez vai me levar.
Tenho á tarde pra sorrir,
quem sabe até! Me perder.
Preciso apenas de um grito
que me rasgue.

Queria uma canção pra assobiar,
uma paixão que me arrastasse,
um desafio qualquer,
que fizesse remendos em mim.
Queria teus braços
que me sustentaram quando enfraqueci,
quando o vento me chamou pra partir. 



Marcos tavares


foto da amiga Gabriela Chagas
https://www.facebook.com/gabichagasb