terça-feira, 15 de setembro de 2015

SOPRO DO VENTO

Foi de olhar figuras nas nuvens                     
que meus olhos se perderam
não sei se foi o sopro do vento
que me carregou
ou o brilho que havia neles
que me enfeitiçou..
vivo esperando elas se juntarem
pra se desmancharem em chuva,
preciso apenas tirar o pó dos meus olhos
que se encantaram,
ao vaguear o céu,
vivo esperando 
as estrelas se desvelarem 
pra ver sorrir meu coração
que não se importa em cair
por tentar voar
nem lamentar
perder o chão
por viver a sonhar
com a imensidão.  


Marcos tavares

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

CADA MAL

Eu te quero assim, desaforada,
escapando entre meus dedos. 
Mandona, arredia, impaciente,
não olhando meus olhos
bêbados de amor.

Eu te quero em mim, 
não artificial, 
como qualquer defeito meu, 
cada mal, 
como cada medo 
que vivo e viverei.

Eu te quero com a sua dor, 

com seu rancor,
com tudo aquilo que me mostra 
porque eu me encantei.

Mas se um dia,
eu quiser te ver diferente,
fuja!, já não tenho certeza, 
...fracassei,  
Ignore meus olhos
cheios de lagrimas,
deixe-me só 
com minhas mentiras,
este amor terá partido, 
será hora de recomeçar.


Marcos tavares 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

VOCÊ FOI FICANDO EM MIM


Você foi ficando em mim,    
me guiando em teus braços,
foi tirando o que havia ruim,
colorindo os meus passos.

Você foi grudando em mim,
preenchendo os espaços,
à minha pele se misturando
desenhando os teus traços.

Você foi cuidando de mim,
foi abrindo portas e frestas,
removendo antigas feridas,
bailando em mim como festa.

Você foi me dando raiz,
foi curando meus cortes,
com cuidado pra não me ferir,
me deixando feliz e mais forte.



Marcos tavares 

sábado, 22 de agosto de 2015

O MEU VIVER


Eu só sei viver despenteada
amarrotada pelas manhãs
abraçada em meu travesseiro
encantada por poesias
que nunca soube recitar.

Eu só sei viver amontoada
dançando com vaga-lumes
contando estrelas pra esquecer
os dias que não quis acordar,
as vezes que amar, foi sofrer.

Eu só sei viver toda arranhada
acidentada por tantas vezes
não ter limites,
submetida aos meus pés aflitos...

Inconformada por sorrir
tantas vezes triste,
incendiada por ter sempre
um novo risco,
estimulada por desafios
que nunca soube desistir,      
aprisionada a uma lagrima
que resiste,
...em não cair.



Marcos tavares                        

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

ANÁGUAS

Esse homem é meu mal,
já me deixou pelas vielas.
Ele vagabunda pelas ruas,
some a noite e me falta.

Ele carece de lucidez,
é meu bem, meu algoz,
minha estupidez,
minha silhueta triste.

Ele me esvazia, me dilui,
vive de mim, da minha sina,
se cala quando eu surto,
me ingere quando uivo.

Ele me veste com anáguas,
remenda minhas falas, meu medo,
me aquece com zelo e mágoa,
por eu saber o seu segredo

Eu lhe sirvo, canto nua.
cuido da sua ferida quando ferve.
Ele me sua, me come crua,
por eu curar a sua febre.


Marcos tavares 



sábado, 8 de agosto de 2015

CUIDA DE MIM

Cuida de mim, do meu punhal,
da minha sede animal,
de ter surrado quem não podia,
cometido crimes que não queria.

Cuida de mim, da minha mágoa,
do rancor ter sido tanto,
de não ter dado acalanto,
nem aprendido perdoar.

Cuida de mim, da minha farda,
da minha veia de vingança,
do sangue marginal que acovarda
essa fome voraz que não se farta.

Cuida de mim, do meu estrago,
do anel inútil que me decora,
da soberba de se sentir tão raro,
e ser mais um que também chora.

Cuida de mim, do meu desatino,
dos espinhos que não deixaram de doer,
das coisas que me entrego sem poder
sem saber por onde levam seus caminhos

Cuida de mim, dos meus pés,
das pedras que mereço pisar,
por saber que por onde eu ando
não tem lugar pra eu ficar. 


Marcos tavares 


terça-feira, 7 de julho de 2015

DIGITAIS

Faltou algo pra falar,                   
eu só vi quando ruía,
suas palavras foram frias,
nem pensei que fossem tuas.

Eu não vi os teus sinais,
hesitei quando sonhava,
nos teus olhos procurei,
os caminhos que eu já não tinha.

Vai doer quando eu lembrar,
não saberei porque lutei,
não direi o que perdi,
deixarei apenas digitais.

Faltou algo pra doer,
enfrentarei quando vier,
vou lutar como puder,
saberei se for pior.


Marcos tavares 


domingo, 5 de julho de 2015

NOSSAS JURAS

Deixo tudo para trás,
nada levo do que juntei,
não direi o que me fere,
espalharei ao vento
o que sonhei.

Não sofrerei de amor de novo,
acendo fogo nas miragens,
me desfaço dos meus versos,
deixarei te esquecerem
nas palavras que juntei.

Arranco tudo do meu peito,
deixo o corte à latejar,
não aguardo piedade,
vai estancar quando puder.

Vou chorar pelo que fomos nós dois
expurgando o abandono,
dilacerando nossas juras,
sem nada pra lembrar depois.  



Marcos tavares