quarta-feira, 10 de outubro de 2012

SUA DOR



Ainda não aprendi
te fazer feliz,
parece que em cada ato
eu desato, estrago...
Se arranco flores
saem todas as raízes,
me perco em meu chão
de concreto...
Não aprendi se seu riso
é sincero,
se as rosas que colhe
são para mim...
Não sei dizer se estou
na trilha correta,
se meu barco é seguro
e o que te dói?
Não sei dizer, meu amor
se eu sei te fazer feliz.
Por que faço tanto estrago,
rasgo tantos versos,
parece tudo tão complicado!
Os meus gestos inadequados
meu sorriso sem expressão
Não sei dizer
se posso te fazer feliz.
O dia de chuva
minhas dores de cabeça
meus olhos que te seguem
ao longe...
Não sei dizer, meu amor
se posso te fazer realmente
feliz.
Os dias se seguem
vejo nossa vida passar,
E estamos juntos...
Penso em você tanto
e tanto me dói
sentir a sua dor...
não sei se posso, meu amor!
O quanto eu gostaria
de te ver bem feliz!

Mirian Gonçalves

terça-feira, 9 de outubro de 2012

DÁDIVA



                          Veja o poema completo aqui:     minha estupidez
                                   


sábado, 6 de outubro de 2012

MOTIVO



Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada



Cecília Meireles



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

PASSAGEIRO

Tudo pulsa.
É cedo ainda.
Deixei os inimigos
dormirem comigo
nas mesmas armas que  
ainda me ameaçam.

Os olhos dos abutres,
vigiam meu vaguear
e nas trevas em que vivo
não temo o teu olhar

Tudo em volta,
volta nas manhãs.
(nas aspirais de vida)
às margens em que vivo
e enceno existir

A cidade redemoinha
sou mais um passageiro.
Resiste nas esquinas
os desafetos
que temo reencontrar.

A eternidade tem vigílias
expõe-me ao se revelar,
custa ter em minha face
o seu espelhar,
custa ver em minhas mãos
a cura carregar.    


Marcos tavares de souza



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SOMENTE O HOJE



Sabe, estive pensando..
O tempo passa. Tudo passa...
O emprego dos sonhos mudou de rumo, mudou de sonho. Evoluiu. As "noitadas na balada" já quase desapareceram, o trabalho aumentou, o estudo triplicou, o tempo diminuiu e as horas voam!
Aquela dor já não dói mais, aquela lágrima já secou faz tempo... Aquele sorriso, agora aparece no primeiro Bom dia e se estende em uma boa energia.
“As críticas se tornaram mais fortes, as palavras mais pulsantes, os sentimentos mais maduros, a intuição mais ativa, a alma restaurada, o ”saber" aguçado!”
A paixão descobriu o prazer de amar e ser amado, os ciúmes ainda tenta driblar com o orgulho, ambos sendo trabalhado misteriosamente por uma força maior, o aprendizado sendo um "ativo circulante" na contabilidade da nossa vida.
Pessoas que achávamos serem amigos, hoje não nos olham nos olhos. Indignação! Ou então amigos, que se foram pra bem longe fisicamente, mas que nem a distancia foi capaz de apagar o mais importante: a amizade, o carinho.
A correria do dia-dia que aumenta constantemente, nos afastando de quem mais amamos... Os familiares. As lembranças da escola, dos professores, das tardes sentadas no sofá na adolescência..rs
Agora, as mesmas tardes, passamos mandando e-mail, atendendo telefones, cliente pra cá, fornecedores pra lá. Mudanças, crescimentos, esforços, resultados.
Tudo passa de um jeito rápido, por isso vivo o hoje e não o ontem, nem mesmo o amanhã...
Somente o hoje!


Jose Expedito dos Santos
Um raro artista que tive o prazer 
de conhecer como ser humano.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

AUSÊNCIA


Abraça-me
como o brilho ao cristal
que guarda dos lábios
                               as marcas
a saliva ainda em ebulição.
  
Abraça-me
como órfão ao destino
o beco ao fugitivo
que desprovido de perspectivas
                                 admite o precipício.

Compartilharemos
do barco à deriva as velas
qual andejo com o nada
observadores atentos
                              horas e sentinela.

Abraça-me infinda madrugada
como um pai que ao filho espera.

                            
Mario Massari