sábado, 8 de agosto de 2015

CUIDA DE MIM

Cuida de mim, do meu punhal,
da minha sede animal,
de ter surrado quem não podia,
cometido crimes que não queria.

Cuida de mim, da minha mágoa,
do rancor ter sido tanto,
de não ter dado acalanto,
nem aprendido perdoar.

Cuida de mim, da minha farda,
da minha veia de vingança,
do sangue marginal que acovarda
essa fome voraz que não se farta.

Cuida de mim, do meu estrago,
do anel inútil que me decora,
da soberba de se sentir tão raro,
e ser mais um que também chora.

Cuida de mim, do meu desatino,
dos espinhos que não deixaram de doer,
das coisas que me entrego sem poder
sem saber por onde levam seus caminhos

Cuida de mim, dos meus pés,
das pedras que mereço pisar,
por saber que por onde eu ando
não tem lugar pra eu ficar. 


Marcos tavares 


terça-feira, 7 de julho de 2015

DIGITAIS

Faltou algo pra falar,                   
eu só vi quando ruía,
suas palavras foram frias,
nem pensei que fossem tuas.

Eu não vi os teus sinais,
hesitei quando sonhava,
nos teus olhos procurei,
os caminhos que eu já não tinha.

Vai doer quando eu lembrar,
não saberei porque lutei,
não direi o que perdi,
deixarei apenas digitais.

Faltou algo pra doer,
enfrentarei quando vier,
vou lutar como puder,
saberei se for pior.


Marcos tavares 


domingo, 5 de julho de 2015

NOSSAS JURAS

Deixo tudo para trás,
nada levo do que juntei,
não direi o que me fere,
espalharei ao vento
o que sonhei.

Não sofrerei de amor de novo,
acendo fogo nas miragens,
me desfaço dos meus versos,
deixarei te esquecerem
nas palavras que juntei.

Arranco tudo do meu peito,
deixo o corte à latejar,
não aguardo piedade,
vai estancar quando puder.

Vou chorar pelo que fomos nós dois
expurgando o abandono,
dilacerando nossas juras,
sem nada pra lembrar depois.  



Marcos tavares 


sábado, 4 de julho de 2015

LÁGRIMAS DE ADEUS

Não faz assim... 
não vale a pena,
já não somos os mesmos
que fomos um dia
não devemos mais
repartir o mesmo caminho.
que sonhamos juntos
descobrir.

Não faz assim.
não chore pelo que acabou
tivemos nossa história
vivemos tantas coisas...
mas elas já se foram,
vamos juntos enfrentar
o que a vida decidiu
separar.

Não faz assim...
vamos seguir em frente.
guardar no coração,
o toque das nossas peles,
levar com a gente
nosso beijo demorado,
a alegria de ficarmos 
enroscados horas a fio
e juntos
nos apaixonar.

Não faz assim...
me abrace mais uma vez,
é preciso ir mais adiante
sem lágrimas de adeus,
sem paginas rasuradas,
mal compreendidas,
e com novas folhas em branco
escrever outras histórias
pra interpretar


Marcos Tavares

terça-feira, 30 de junho de 2015

CORRENDO PERIGO


Eu poderia tentar dizer
o que é melhor pra você.
Infelizmente eu não sei.
Não dê esta experiência a alguém,
você terá que aprender vivendo.
Até porque, tudo vale o risco,
e eu desconheço meu tempo.
Vivo na véspera.

Eu poderia até dizer
o que penso sobre suas escolhas,
mas eu nunca consigo olhar o mundo
a não ser pelo meu umbigo.
Você deve remar com seus braços
até porque tudo é permitido,
e eu não tenho janelas
vivo dentro da minha cela.

Eu poderia dizer o que eu já vivi
e o que vibra dentro de mim,
mas os conselhos alheios
não conhecem os seus anseios,
você vai ter que usar os seus sentidos
pois eu não tenho certezas,
vivo correndo perigo


Marcos tavares

segunda-feira, 15 de junho de 2015

VENDAVAIS


Esse amor explodindo  
Saindo pelas retinas,
Já tive sim, medo de mim
E de dormir,

Eu tenho credo
Esmero pela chuva
Já tive sim, apegos vis
e desespero pra sorrir,

Eu zelo ainda
as pedras nas mãos
que vou jogando ao chão
mas, varri meus vendavais
que não moram mais em mim

Ah! Essa vontade de viver
Que veio brotando assim
Preenchendo sem saber
que existe fé em deixar ser.

Ah! Essa vontade de pintar estrelas
Que veio gritando enfim
Sem nem mesmo perceber
Que tudo já estava em mim. 




Marcos tavares

terça-feira, 9 de junho de 2015

REVELAR

Não sou um corpo vivendo uma vida
Sou vida experimentando um corpo,
Sou consciência presente deste instante
um instante vivenciando o tempo,

Meu aqui nunca é lá, nem nunca será
Nada fica em mim, nem ficará, 

tudo passa sem querer ficar
num espaço que não se move

nem se consome.

Sou o estado lúcido da embriaguez
o paradeiro do manifesto
o eixo que não gira
o som que não vibra.

Não sei se sou ser, se sou não-ser
se tenho algo pra ter e não ter que precisar
se sei se estou em mim
se em mim algo se expressar
ou nunca saber se vou estar...
eu só sei me revelar, no que vier se revelar.


Marcos tavares