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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

PARTE DE MIM

O que ficou nos olhos,
ficou também no vão
da garganta.
Ficou na penumbra
do nosso chão.
No limite do abismo,
na fala que eu já não tinha

Ficou espatifado

pelos cantos do coração
que ainda batia,
pelos poros, pelas sombras,
pela falta de razão 
de existir ainda
algo de mim.

O que doeu no peito,
doeu também
nas portas das manhãs
(que ficaram frias),
entreabertas
pela decisão da vida,
de tirar você de mim,
de não saber
por onde recomeçar,
por você não ser mais
parte de mim.

Doeu o rude olhar de adeus,

que adiei assimilar,
tive medo de chorar
e me somar ao chão,
ser pedaços de algodão
misturado aos travesseiros.

Não pude,

me olhar sem ti
enfrentar o medo
de abrir a porta
e não ter ninguém.
e apenas ver
esse pedaço de mim,
que sobreviveu


Marcos tavares 



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

LÁPIS DE COR

Você é assim...
Tipo lápis de cor
pinta a minha dor,
as rasuras em mim.

Tipo assim..
Som de nota musical,
harmoniza meu tom,
faz partituras em mim.

Tem gosto de amora,
aroma que me descansa,
uma saudade sem hora,
tipo assim...! Felicidade.

Fantasia que me veste,
enfeita meu viver,
tipo assim...! 
Uma folia,
uma festa,
dentro de mim.

Marcos tavares


Foto da amiga Janaina Jacobina
https://www.facebook.com/janainajacobina2

terça-feira, 1 de novembro de 2016

JEITO BOBO DE AMAR

Sempre fui assim, singular,
com um jeito bobo de amar.
Sem habilidade pra sonhar.
Tenho sapatos pra dançar
e uma certeza nesta valsa:
Vivo só.

Sempre fui assim, 
fácil de chorar,
com um encanto matinal 
no espelho,
que me faz pensar em ser atriz
Coisa doida de entender!
Ter vontade de fingir ser feliz:
Sendo só.

Sempre morei sem mim,
vestida de chuva,
hóspede de um inverno triste,
vida dura de passar!
Uma vontade de esquecer seu nome,
não mais existir,
...Seguir só.

Marcos tavares 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

CRIMES QUE CARREGO

Meu olho na janela                   
não expressa sentimentos,
ao longe vejo luzes,
que não revelam de onde eu vim.

Eu não sei o que procuro,
nem mesmo se perdi,
me desfiz dos meus caminhos
pra não saber voltar depois.

Já não sei mais do que eu peno,
nem os crimes que carrego,
eu só tenho este punhal,
que me rasga enquanto eu vivo.

A chuva me conforta,
entre as veias da cidade
eu só tenho este destino,
que não permite que dele eu fuja  

Marcos tavares



terça-feira, 13 de setembro de 2016

A MINHA JURA

Hoje os inimigos são outros
e os que querem minha cabeça
estão atrás das paredes.
Sei que os mereço, embora,
não mais os conheça,
nem neles reconheço
os motivos deles
me manterem vivo.

Hoje, os amigos são raros.
A vontade do mundo voraz
já não me atrai.
Ainda me habito
neste afã que subjugo,
mas não mais me pertenço,
apenas existo na lucidez
neste domingo de manhã.

Hoje o meu mar é até o portão,
os ventos me visitam impacientes.
Não sabem nada de mim,
(da minha jura),
da lágrima que cai
como penitencia,
mas não cura
nem perdoa
os danos causados em mim
que acusei ao mundo. 


Marcos tavares



A MINHA JURA

Hoje os inimigos são outros
e os que querem minha cabeça
estão atrás das paredes.
Sei que os mereço, embora,
não mais os conheça,
nem neles reconheço
os motivos deles
me manterem vivo.

Hoje, os amigos são raros.
A vontade do mundo voraz
já não me atrai.
Ainda me habito
neste afã que subjugo,
mas não mais me pertenço,
apenas existo na lucidez
neste domingo de manhã.

Hoje o meu mar é até o portão,
os ventos me visitam impacientes.
Não sabem nada de mim,
(da minha jura),
da lágrima que cai
como penitencia,
mas não cura
nem perdoa
os danos causados em mim
que acusei ao mundo. 


Marcos tavares



sábado, 30 de abril de 2016

A VERDADE NÃO PODE SER DITA

Esconda as verdadeiras escrituras
a verdade não pode ser dita,
mantenha o medo e a culpa,
deixe lobos e ratos entre eles.

Mandem rezar, ajoelhar, jejuar...
depois, definhar,
osso por osso,
dia após dia,
cada gota de sangue que escorrer
façam chorar.

Deixem se iludir,
se embriagar,
imaginar terem poder,
achar que devem sonhar,
pensar que podem querer,
depois deixe-os morrer
um a um
-acidentalmente.

Detenha nas grades
os loucos,
os que não sabem
guardar segredos;
retire do ventre
os que conhecem o vento
e podem voar;
Depois, enterrem as palavras,
(sílaba por sílaba)
da linguagem suspeita
que restar.


Marcos tavares

sábado, 2 de janeiro de 2016

O SEU CASTIGO


Tenho desejo desse vinho
que você engole
em insensatez,
com tanta sede e impaciência,
com pressa de embriaguez
pra intimidar o meu silencio.

Tenho medo deste vicio
(que abuso).
Essa mania de gostar
dos calafrios das estradas
que não sabem pra onde vão
e podem me levar,
desfazer nossos caminhos
sem avisar.

Tenho marcas no corpo
das asperezas das tuas mãos
que me esfregam com raiva
em sofreguidão
por eu ser a sua morada
(sua gestação)
a única escolha
que te restou.  



Marcos tavares 
foto da amiga Victoria Steiner
https://www.facebook.com/victoria.steiner.96?pnref=story