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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

OS CAFAJESTES



Quero os cafajestes, barba por fazer, cara de safados que não fazem questão de dizer sequer o nome. Odeio os românticos, que gastam a lábia tentando provar que não querem foder logo na primeira noite. 
Dia desses, escolhendo a porra de um sanduíche  na hora do almoço, esbarrei meu professor de química, um gato, caralho! Como é mesmo o nome dele?!!, sei lá, que se foda,-esqueci. Comecei a sorrir e logo dei um beijinho no rosto, Paulinha, 3ºC, você se lembra de mim?  Fui logo me oferecendo, caralho, parecia galinha mesmo! Papo vem papo vai, sentamos e almoçamos juntos. Trocamos números de telefones e logo fomos embora.

Aos domingos eu fico empoleirada no sofá, adoro! Domingo é dia de descanso, não me chamem pra porra nenhuma, fico o dia todo de pijama, descabelada, com meu i-phone grudado na orelha, uma panela de brigadeiro no fogão, que visito regularmente durante o dia.
Não é que o filho da puta me ligou no domingo! Putz, esse vale a pena, pensei. Mas, barzinho na vila com uns amigos dele, tô fora! Dispensei contrariada, porra, meu! O homem tem que ser mais criativo, aposto que ficam discutindo as combinações químicas das bebidas que tomam enquanto beliscam bolinhos de carne seca, porra, meu cu! Não rola.
Resolvi mostrar como é que se faz, fui na porta do colégio, e esperei ele sair, era segunda feira e estava uma puta chuva, deixei meu carro num estacionamento próximo e fiquei em frente ao portão, com uma carinha de quem precisava resolver uma equação. Fiquei sob a marquise da entrada da escola e cara de pidona.
Uma hora depois, estávamos rodando sem destino pela cidade. Meu!, esse cara é um tesão!!, deu vontade de pegar no pau dele dentro do carro mesmo, mas ele estava muito atrapalhado, não estava entendendo nada. Eu percebi pelas musicas que ele escutava no carro. Cara decidido que sabe o que quer não fica mostrando o novo som de uma banda mineira, porra meu cu! vá se fuder! Pluguei meu pen drive e começamos a navegar pelo meu universo, percebi que ele estava curtindo, o transito não ajudava naquela hora da noite, meu celular não parava de tocar, esses viados não me deixam em paz mesmo! Acho que eu dou pra qualquer um? Escolho minha caça, só dou se rolar tesão.  
Estou a fim de meter com você, falei descaradamente. Poucos minutos depois, eu já estava engolindo o seu pau, enquanto ele me levava pra casa dele, tentando dirigir com as mãos enfiada na minha calcinha.
Sou puta sim! Mas cá pra nós, sobre os lençóis: O cara é fraco, nada a ver! Sou muito mais, o meu marido. 



Marcos Tavares de Souza,


domingo, 19 de agosto de 2012

A AMEAÇA DOS URUBUS

                                                                  


Naquela mesa da calçada, como eles faziam sempre as sextas, Mauro e mais dois colegas de trabalho tomavam sua cervejinha ao final do expediente de trabalho, no mesmo bar de sempre. Naquele dia, porém, notaram a presença de um urubu que os rodeava, vinha ao chão, voava até o telhado e plainava ao redor, como se tivesse de olho em algum resto de comida.
Tentaram espantar o bicho por várias vezes, mas era sempre inútil, voltava a ficar próximo deles. Chamaram o dono do bar e pediram uma explicação para aquele acontecimento estranho. O senhor anda tratando este urubu com restos de alimentos? Perguntou um dos colegas- Não senhor! É a primeira vez que eu vejo este animal por aqui. Respondeu.  Após pagarem a conta e fazerem diversas piadas com o ocorrido, foram cada um para seu lado.
Mauro descia a rua rumo ao metrô quando teve a impressão de ser seguido, olhou para trás e viu o pássaro negro a rodeá-lo. Achou engraçado e se lembrou das piadas com os amigos. Após vários passos largos e uma corridinha, olhou novamente para trás e viu os olhos fixos do carniceiro dirigindo-se a ele.
Sentiu um friozinho na espinha, como se fosse ameaçado, mas caindo em si pensou: Agora dei pra ter medo de urubu? era só o que me faltava! Entrou na estação central e pegou o trem, rumo a sua casa, ria sozinho sentado ao lado de outros passageiros lembrando-se do urubu.
A noite em sua casa, após o jantar, sentou-se no sofá e passeava com o controle da televisão, quando sua mulher, puxando assunto, indagou sobre o seu dia.
-Você não acredita que um urubu ficou rodeando nossa mesa no bar e me seguiu a até a estação do metrô hoje! Acredita?
- Vai ver você esta morrendo e ele esta esperando o corpo cair e apodrecer por ai, para ele se alimentar. Ria debochadamente.
-Engraçadinha! Como ele sabe se eu vou morrer. Ainda mais, ser esquecido por ai e apodrecer? Resmungou.
-Não sei, mas eles desconfiam, é o seu instinto. Voltou a rir. 
Uma semana se passou, novamente eles estão sentados na mesma mesa daquele bar, o urubu começa a sobrevoar o lugar, em poucos minutos, começam a aparecer outros pássaros iguais, parecem estar com raiva, começam a buzinar e olhar fixos para Mauro, desta vez os colegas ignoram as piadas, resolvem ir embora, pagam a conta e sai cada um para o seu lado, nada dizem um ao outro, parecem assustados. Mauro começa a se preocupar, os urubus começam a se multiplicar, sobrevoam pelo seu caminho, fazem voos rasantes, olham fixos para os seus olhos, parecem emitir raiva, os olhos de alguns parecem vermelhos, os olhos de outros parecem famintos, Mauro corre, desta vez, desesperadamente, entra na estação do metrô, seu coração esta acelerado, seu fôlego começa a faltar, senta e descansa , olha pela vidraça, vê alguns se debaterem no vidro das janelas da estação e de repente somem pelo céu que escurecia. Entra no trem, senta na poltrona, pálido,
começa a tremer, anda de um vagão ao outro, não consegue se acalmar, os passageiros notam a aflição, uma senhora começa a falar em nome de Jesus algumas palavras, ele se irrita, corre entre os vagões, desce uma estação antes de casa, sai correndo pelas ruas, chega a sua casa, pega umas roupas e começa a fazer uma mala, sua mulher assustada pergunta o que esta acontecendo, Ele diz: São os urubus! Eles querem me pegar, preciso fugir.
Anita, a sua mulher, pega o telefone, liga para sua sogra, conta o ocorrido, faz umas perguntas, desliga e volta a fazer outra ligação, desta vez para o farmacêutico, pede conselho, pergunta se existe algum tipo de remédio para acalmá-lo, desliga e vai até a porta, abre e olha para o céu, nada vê. Vai para o fogão, põe agua para ferver para fazer um chá de camomila com maracujá.
Mauro enche um copo de conhaque, toma, enche outro, engole, enche mais um, receia, mas toma. Vai até as janelas olha para o céu, grita como um lunático, Cadê vocês seus filhos duma puta! Apareçam, seus desgraçados, vou matar um a um!  Senta no sofá, começa a chorar e rir ao mesmo tempo. Anita chega com o chá, senta ao seu lado, nunca tinha visto Mauro naquele estado, tenta conversar.
-Fica calmo Amor! Toma esse chá, vai passar... Ela apoia a sua cabeça sobre os seus ombros, conta sobre o seu dia, sobre o filho, sobre a vizinha, tenta puxar assunto, tenta entretê-lo com outros pensamentos. Mauro vai se acalmando, acalmando...  Até que relaxa e cochila no colo da mulher.  Durante o domingo, Anita, conversa bastante com ele sobre o ocorrido, dá o endereço de uma amiga que se formou psiquiatra e que ia fazer um 
preço mais camarada, depois de falar com ela ao telefone e ouvir dela o alivio que bastaria um simples remédio pra ele parar com esta loucura. Mauro se diz propenso a visita-la, resolvem esquecer o assunto e falar dos planos para o mês seguinte, que seria férias. O fim de semana passa...
Novamente é sexta feira, nenhum dos colegas de trabalho toca no assunto, não vão ao bar, vão direto para casa. Mauro pega um táxi, não vai de metrô. Passa na padaria perto de casa, toma uma cervejinha, compra pão e frios para o lanche, desce a rua calmamente,refeito do susto da semana passada, tomando um comprimido de revotril ao dia.
Gira o trinco da porta, entra, vai até a cozinha, põe os frios na geladeira, abre uma cervejinha, senta no sofá, liga a tv, procura por um canal de esporte, aliviado, esboça um sorriso e se sente seguro no conforto do seu lar.Meia hora depois, sente falta da mulher e do filho, não ouve barulho nenhum dentro de casa, Não estão em casa, deduz! Começa ligar para o celular dela, ouve o aparelho tocar debaixo da almofada, imagina que devam estar na vizinha! Vai até lá, toca a campainha, pergunta por eles, não estão, fica preocupado.
Volta para casa, anda pelos cômodos, vê peças de roupas espalhadas sobre a cama, não encontra a mala em cima do guarda roupa, vai até o quarto do filho, não encontra o pôster pendurado do Batman, se desespera. Vai até a cozinha, encontra um bilhete escrito: Eles voltaram, fuja!


Marcos tavares de souza,
é fã do urubu malandro,
(desenho animado do pica-pau)
















quarta-feira, 1 de agosto de 2012

CRIANÇA SUPER PODEROSA

                                                                     Conto 

No banco de trás do carro, João Pedro, único filho do casal, estava ainda emburrado por sair tão tarde daquela festa.  Ele já tinha perdido tempo demais com seus primos, que pouco via e que não fazia questão alguma de vê-los. Mas o pior era ter deixado o novo jogo no vídeo game para ir a uma destas festas insuportáveis de família.
João Pedro era um menino que vivia sempre as voltas com seus pensamentos, sua mãe achava muito estranho, um menino de 12 anos que se relacionava tão pouco com o mundo externo. Vive no mundo da lua, dizia sempre sua mãe para seus amigos e conhecidos.
O fato era que ele tinha super poderes, mas era um segredo, se acaso alguém soubesse disso poderia perder esses tais poderes subitamente.
Naquela noite ele decidiu não usar sua capacidade de controlar as pessoas com seus pensamentos, resolveu ir até onde poderia suportar seu desagrado com o acontecimento e foi.
Quando o carro parou no semáforo, dois assaltantes invadiram o banco traseiro, ficando um em cada lado de João Pedro, gritaram para o seu pai: é um assalto! Continue dirigindo este carro seu filho duma puta.
Pedro Luís, um médico reconhecidamente famoso, seguiu a ordem dada pelos assaltantes, embora pálido naquele momento, ainda pôde confortar a sua esposa, dizendo pra ela ficar calma e que tudo ia acabar bem.
Um dos meliantes no carro estava um pouco mais nervoso e era bem agressivo, começou a gritar com a mãe de João Pedro e arrancar os seus brincos enquanto esfregava na nuca do seu pai um revolver calibre 45, prata que brilhava durante os reflexos dos faróis dos outros carros ameaçando matar a família inteira se ele não fizesse o que estava mandando.
-Fique calmo, dizia ele aos ladrões e olhava para os olhos do filho, que parecia estar mais calmos do que nunca, indiferente ao fato presente. Filho fica tranquilo daqui a pouco nós chegaremos a nossa casa, dizia essas palavras com voz um pouco trêmula.
João Pedro achou que já era hora de usar os poderes, mesmo sabendo que seria pela ultima vez. Por uma razão justa, ele decidiu que proteger a família seria por uma causa nobre. Dirigiu seu olhar a um dos assaltantes e fez sua mão ficar tão fraca que mal conseguia segurar o seu revolver, olhou para o outro e o fez se sentir tão assustado dentro do carro, que começou a tentar destravar a porta para sair correndo, ao mesmo tempo, que gritava socorro por sentir ameaçado por alguma coisa que só João Pedro sabia.  
A mãe do menino ao ver aquela cena, sentiu uma raiva tão estranha que mal cabia dentro de si, ordenou ao seu marido que encostasse o carro próximo a um terreno baldio que tinha no caminho.
-Vamos arrancar estes filhos da puta do carro e descarregar sua própria arma em suas cabeças.
O marido inconformado com tal atitude relutou a ordem e tentou acalmar sua mulher, dizendo que não estava em nossas mãos tal punição, ainda tentando entender o que se passava naquele carro. Como de repente um dos assaltantes se enfraquecera tanto que mal podia segurar sua própria arma? Como o outro estava tendo um ataque de pânico desesperador que dava até dó, sendo ele um psiquiatra renomado e conhecendo tal sofrimento.
Embora relutante, estacionou o carro ao lado do terreno baldio, e destravou as portas, permitindo que saíssem de dentro. A mulher aos berros gritava com eles para saírem dali imediatamente, mas era inútil. Eles estavam petrificados no banco traseiro. Ela ainda não sabia quais eram os planos do menino.
João Pedro então pediu para que saíssem e ficassem nus no meio da rua, depois, que entrassem no terreno abandonado e que duelassem até a morte. Enquanto seus pais fossem assistindo extremamente calmos toda cena que estava se desenhando na sua cabeça.
Os dois assaltantes brigavam com pedaços de pau e pedras que encontraram no terreno, impondo hematomas e sangramentos um ao outro até que caíssem ao chão, exaustos e entregues a morte.
João Pedro achou que já estava na hora de reencontrar o vídeo game, achou que aquela luta poderia se arrastar por muito tempo. Pegou o revolver prateado calibre 45 que brilhava, mesmo no escuro, e caminhou próximo das suas vitimas, descarregando as balas no peito e na cabeça dos assaltantes até que deixassem de respirar.
Estranhamente, ele parecia sorrir, como se tivesse vencido uma fase de um jogo novo. Os pais se calaram e voltaram ao carro como se nada de anormal tivesse acontecido. Apenas, um silêncio ficou no ar, algo de surreal e extraordinário. Prometeram nunca mais tocar no assunto.
No outro dia o telejornal mostrava os corpos, quase dilacerados e roxeados pelo frio. Um homem, uma mulher e uma criança, estranhamente com um sorriso no rosto.


Marcos Tavares de Souza,